Tecnologia para processamento e armazenamento das células-tronco do cordão umbilical

Como garantir que as células-tronco armazenadas hoje terão o mesmo poder terapêutico daqui 10, 15 ou 20 anos?

Coletar as células-tronco do cordão umbilical, seja nos bancos privados (para o uso próprio) ou doando para os bancos públicos, é uma forma importante de guardar um material genético rico e que pode ser usado para o tratamento de mais de 80 doenças, e com a vantagem de estarem aptas para o uso mesmo após muitos anos armazenadas.

O que garante a viabilidade das células-tronco depois de tanto tempo congeladas primeiramente é a forma como foi feita a coleta: “os procedimentos devem ser seguidos rigorosamente, não pode haver contato com as células, as mesmas devem ser transportadas até o laboratório em temperatura adequada, e não podem ser congeladas naquele momento, já que ainda precisam ser analisadas e contadas para que, depois de todo este processo, finalmente possam ser congeladas em nitrogênio líquido a – 196°C” para armazenamento, afirma Dra. Adriana Homem, médica responsável técnica do Banco de Cordão Umbilical, BCU Brasil, que segue o padrão de qualidade NetCord.

A International NetCord Foundation – NetCord –  é uma associação sem fins lucrativos que se ternou referência mundial com a elaboração de normas internacionais para a coleta, processamento, testes, congelamento e liberação para uso do sangue do cordão umbilical. “Caso as mamães optem por fazer a coleta em um banco privado é importante se atentar a estes detalhes”, orienta Dra. Adriana.

No BCU Brasil, as células são testadas semestralmente nos tanques de nitrogênio para que seja feito o controle desta perda celular, que é pequena quando o banco segue os padrões NetCord e não influencia no uso do material pelo doador ou por quem armazenou para uso próprio.

“Na hora do armazenamento separamos dois batoques de 5ml e 5 segmentos para fazer os testes viabilidade celular. Durante o procedimento é realizado a dosagem de CD34 para a detecção das células progenitoras, exames microbiológicos, contagem de células e viabilidade celular”, explica o Dr. Alexandre Trevisan, médico sócio do BCU.

Além disso, é preciso avaliar também a qualidade do material que será usado tanto na coleta como no armazenamento. Hoje há no mercado dezenas de fornecedores muitos com qualidade duvidosa, então é preciso saber escolher muito bem.  “No BCU Brasil as células são processadas em sistema fechado totalmente estéril, através do equipamento SEPAX. Essa tecnologia permite a redução do volume a ser congelado e consequentemente uma diminuição no protetor celular (DMSO) utilizado, promovendo uma melhora na qualidade do processo e uma recuperação na quantidade de células”, garante o Dr. Alexandre.

Seguindo todos estes procedimentos, os papais que optam pelos bancos privados podem ficar despreocupados quanto a qualidade das células-tronco armazenadas por muito tempo. Há atualmente, células guardadas há 25 anos com ampla capacidade terapêutica.

“Não importa se é em um banco privado ou nos bancos públicos as células-tronco são capazes de colaborar e muito com o tratamento de doenças gravíssimas, por isso, todo o processo de armazenamento deve seguir rigorosas normas de qualidade para que ela consiga cumprir o seu papel e ajudar quem precisa com o seu potencial terapêutico”, finaliza Dra. Adriana.

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