Tratamento para Esclerose Múltipla com células-tronco

tratamento para esclerose múltipla com células-tronco
Crédito: Pixabay

Uma doença de difícil diagnóstico, sem cura e que não tem uma causa especificamente definida já que depende de inúmeros fatores para ser desencadeada. Estamos falando da Esclerose Múltipla, uma enfermidade que atinge cerca de 2 milhões de pessoas no mundo todo e que se tornou notícia nos últimos meses em função da luta da atriz Claudia Rodrigues, que fez um tratamento para Esclerose Múltipla com células-tronco.

Apesar de não ter uma causa previamente definida, sabe-se quanto mais distante a pessoa está da linha do Equador, ou seja, maior latitude, há mais chances de desenvolver a doença, que atinge predominantemente mulheres em idade fértil, na proporção 3 por 1 em relação aos homens, de acordo com dados da Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM).

 

O que é a Esclerose Múltipla?

É uma doença que atinge o Sistema Nervoso Central e causa uma degeneração progressiva, é auto-imune, podendo inclusive impedir que a pessoa que sofra com a enfermidade realize atividades do cotidiano. Ele atinge a mielina, que falando leigamente, é a capa que protege os neurônios. Sua destruição pode afetar funções motoras, sensitivas e emocionais entre outras do corpo.

Sintomas da Esclerose Múltipla

Os sintomas variam de paciente para paciente, por isso a dificuldade do diagnóstico. Ainda de acordo com a ABEM, destacam-se: alterações fonoaudiológicas, fadiga, transtornos cognitivos, transtornos emocionais, problemas da bexiga e intestinais, transtornos visuais, problemas de equilíbrio e coordenação, espasticidade (rigidez de um membro ao movimento ou sensação tátil anormal).

Lembrando que a pessoa com Esclerose Múltipla não precisa necessariamente apresentar todos esses sintomas.

Além disso, o paciente com Esclerose Múltipla costuma ter surtos que enfatizam esses sintomas ou surgem outros, têm duração mínima de 24 horas e podem surgir a qualquer momento.

Tratamentos convencionais

Como é uma doença sem cura até o momento, o tratamento para a doença varia de acordo com o estágio da mesma e com medicamentos que visem reduzir a inflamação que acomete o sistema nervoso e os sintomas que variam de paciente para paciente. Além disso, não é um tratamento barato, além de ser bastante agressivo, pois ataca o sistema imunológico, deixando os pacientes suscetíveis às infecções e até doenças mais graves.

Células-tronco no tratamento de esclerose múltipla

As pesquisas avançaram e os resultados foram positivos. Há na literatura médica uma série de estudos com resultados promissores e transformadores para os pacientes que usam as células-tronco para o tratamento de Esclerose Múltipla.

Esses tratamentos são feitos com células-tronco autólogas, ou seja, do próprio paciente, procedimento esse realizado pela atriz Claudia Rodrigues em dezembro de 2015.

O uso das células-tronco para tratamento de Esclerose Múltipla tem apresentado resultados promissores. Em muito pacientes se percebeu a regressão de sintomas e em outros a não evolução da doença.

A instituição do Reino Unido Multiple Sclerosis Society afirma que atualmente há dois tipos de transplantes para quem sofre com a doença, avaliado caso a caso pela equipe médica: um deles utilizando células hematopoiéticas que proporciona que o sistema imune pare de atacar o sistema nervoso, essas são as mais utilizadas até o momento; e com as células-tronco mesenquimais que promovem a remielinização e colabora também com o aumento da imunidade do paciente.

Como é feito o transplante de células-tronco no caso de Esclerose Múltipla

O tratamento é agressivo. É necessária toda uma preparação, que inclui sessões de quimioterapia que visam diminuir a imunidade do paciente que irá receber as células-tronco. Sendo que essas células, ao serem retiradas, são “filtradas” para que sejam purificadas e depois congeladas até o uso.

Após a administração das células-tronco ainda é preciso que o paciente fique completamente isolado por 30 dias, em função da intensidade da quimioterapia que diminui muito o sistema imunológico, deixando a pessoa mais propensa às infecções.

Resultados dos transplantes

Na maioria dos casos e estudos em pacientes submetidos ao transplante das células-tronco para Esclerose Múltipla os resultados foram positivos. Uma amostra disso é uma pesquisa publicada no Scientific American Brasil, realizada na Northwestern University com 21 pacientes, onde após 37 meses 17 deles (80%) “obtiveram melhores resultados nos testes-padrão de avaliação da visão, força muscular, coordenação motora e outros aspectos das funções neurológicas, que os obtidos antes do procedimento. Outros quatro pacientes não melhoraram, mas também não pioraram”, avalia Richard Burt, pesquisador e chefe de imunoterapia para transtornos auto-imunes da Faculdade de Medicina Feinberg.

Inclusive também há uma série de estudos que evidenciam o uso das células-tronco do cordão umbilical para o tratamento da Esclerose Múltipla, sempre pensando que por ser um tratamento autólogo, ou seja, com as células do próprio paciente, em breve esse rico material, considerado virgem e que não sofreu influências externas, poderá colaborar com o tratamento da Esclerose Múltipla e de outras inúmeras doenças, como a Diabetes e a Paralisia Cerebral, apenas poucas das mais de 200 enfermidades que têm sido exaustivamente pesquisadas para oferecer qualidade de vida e saúde para toda a população.

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